Publicações da ESE João de Deus

Fábulas para gente moça

capa Autor: João de Deus Ramos

Ano da Edição: 2004

PVP: 3,50€


"A fábula é originariamente uma criação popular. Os gregos compuseram-na e recitaram-na nas horas de ócio, desde quando andaram como povos nómadas pela Ásia. E Phedro conta-nos, para justificar a origem das suas fábulas, que o escravo sem defesa, não podendo exprimir-se como queria, usava de ficções engenhosas, a fim de velar o pensamento e pôr-se ao abrigo de quaisquer delacções. Quer dizer: desde todos os tempos a alma do povo, dando forma à sua intuição de maravilha, dando curso aos acontecimentos mais variados, atríbuiu fala aos mares, aos rios, às fontes, às àrvores, e, sobreduto, aos animais, servindo-se constantemente da metáfora e da alegoria - que é uma das maneiras mais naturais de falar, na expressão de Saint Marc Girardin.

A fábula, porém, ascendeu do conto popular, em prosa e verso, simples e despretencioso, até La Fontaine que «a sentou na Assembleia das Musas,ao lado da Comédia e da Sátira, não longe da Epopeia e da Tragédia».

Porque La Fontaine, amando muito toda a espécie de leituras dignas dum homem de génio que era, deu sempre preferência à da fábula, que os franceses cultivaram pouco, antes dele, e que os romanos e os gregos haviam cultivado mal e sem graça. Assim, pois, muitíssimas das fábulas de La Fontaine pertencem-lhe, sim, mas pela forma brilhante e originalíssima que ele lhe imprimiu. O assunto, o enredo, o espírito crítico por vezes, e o conceito, quase sempre, vêm da tradição dos povos e dos livros antigos.

Aí está a razão por que o nosso Curvo Semedo se propôs «não traduzir mas imitar La Fontaine, fazendo a respeito dele o que ele fez a respeito de Esopo, Phedro, Pilpay, Avieno, e outros, que se aproveitou dos assuntos e os vestiu, e adornou com aqueles enfeites, e a graça, de que a sua fecunda imaginação era susceptível».

Antes de Semedo, já Filinto havia publicado uma tradução, mas em verso branco. E depois multiplicaram-se os cultores da fábula em língua portuguesa, todos procurando imitar a arte e o engenho do célebre escritor francês.

Também neste pequenino volume 5 das composições aqui reunidas são adaptações de conhecidas fábulas de la Fontaine, e uma da fábula «L´âne et chien» de Philéas Lebesgue, sendo as restantes inteiramente originais."